24 abril 2012


Como lidar com o ciúme das crianças quando nasce um irmão
O ciúme quando nasce o irmãozinho é o sentimento mais natural do mundo. Com muito jeito, paciência e estratégia, dá para superar essa fase


Para grande alívio dos pais, o ciúme, além de normal, pode levar a uma competição sadia que ajuda os dois irmãos a crescer. É difícil, porém, pensar nesse lado positivo quando o mais velho começa a ter dificuldades para dormir, "desaprende" a calçar os sapatos se a mamãe não ajudar ou volta, por exemplo, a usar fralda e a fazer xixi na cama. A pura verdade é a seguinte: mesmo usando toda a psicologia do mundo, dificilmente os pais conseguirão fazer uma criança pequena adorar a idéia de ter um irmãozinho.
E, quando chegar, são imensas as probabilidades de ser recebido com agressividade mais ou menos explícita. Um amiguinho do Lucas foi apanhado em flagrante apertando a manta no rosto da irmã recém-nascida "para ela parar de chorar". Outra foi surpreendida trepada no berço, enfiando os dedos nos olhinhos do bebê. Pedir para os pais devolverem o intruso ou fingir que ele não existe (fazendo, por exemplo, desenhos da família só com "mamãe, papai e eu") são atitudes bastante comuns.
Mesmo a menina de 3 anos que pegou o irmão no berço e estava prestes a jogá-lo na lata de lixo apenas dava vazão a um naturalíssimo desejo de se livrar da concorrência.
 Veja só o que os especialistas recomendam para amenizar esse primeiro ano de ciumeira e sufoco:
 - Lembrar sempre que o ciúme e a vontade de agredir são naturais e nunca dizer que a criança está sendo má ou fazendo uma coisa feia.
- Esforçar-se para lhe dar a mesma atenção de antes.
- Ter em casa brinquedos novos embrulhados para presentear o mais velho sempre que o outro ganhar um.
- Elogiar os progressos dele para que não fique tentado a se comportar como um bebê.
- Evitar que o caçula use objetos do outro (berço, mamadeiras, carrinho) se perceber que ele não está feliz com a idéia. Menos ainda, forçá-lo a dividir brinquedos.
- Falar e mostrar fotos do tempo em que ele também era bebê.
- Não cair na tentação de deixar o pai dar dedicação total ao mais velho como compensação - só aumentará a sensação de que a mãe não tem mais tempo para ele.
- Mostrar ao ciumento as vantagens de ser mais velho - sabe falar, andar, fazer um monte de coisas sozinho.
- Providenciar brinquedos que permitam à criança dar vazão à agressividade - massinha, material para desenho e um tambor são boas idéias.
- Não exigir silêncio por causa do bebê. Recém-nascidos são capazes de dormir em meio à maior confusão e o outro ficará mais ressentido.
Nada disso significa, porém, que as crianças vão crescer às turras. Mas é bom saber que tal fase de rejeição agressiva - mais comum quando a mais velha tem entre 1 e 3 anos - não passa tão depressa assim.
Os especialistas calculam que leva em torno de um ano e piora por volta dos 4, 5 meses da mais nova - época em que se torna mais "perigosa", porque já faz gracinhas - e outra vez perto do primeiro aniversário - aí, a rival deixou de ser um simples bebê.
Em compensação, se os pais (em especial, a mãe) souberem levar a coisa com jeito, podem transformar cada novidade do caçula numa manifestação de afeto pelo outro tipo "viu só?, o sorriso da Duda era só pra você!". Dar uns tapas, como a mãe de Lucas às vezes tem vontade de fazer, é uma atitude compreensível, mas nem pensar: até porque a criança vai se sentir no direito de também bater no bebê por pura vingança.

Fonte: Revista Claudia

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